AO TELEFONE²
Por Caio Lafayette
Para entender melhor o texto, ler antes AO TELEFONE
AO TELEFONE²
(pi…pi…pi…)
- Alô!
- Éééé…Oi! Tudo bem?
- Tudo ótimo! A que devo a honra de sua ligação?
- Sem gracinhas, por favor!
- Bom, eu te ligar e você ser ‘grossa’ até tudo bem, afinal, precisava de um favor seu que, aliás, nem foi cumprido conforme combinado. Mas você que está me ligando, então, menos!
- (hunfes…) A começar, não pude te esperar aquele dia. Acabou surgindo um compromisso inadiável. Mas entreguei a pasta, não entreguei?
- Sim, mas…
- Mas nada! Te salvei de mais uma. Agradeça a Deus minha bondade.
- Ok! Farei isso exatamente hoje quando deitar a cabeça no meu travesseiro.
- Deixa de ser irônico.
- Por que será que tudo que eu falo você acha irônico ou taxa como ‘gracinha’?
- Não liguei pra discutir com você…
- Foi só pra ouvir minha voz então?
- Voz por voz, você sabe que eu prefiro a do Humberto Gessinger…aliás, não só a voz…
(silêncio…)
- Éééé…você ainda sabe me provocar né?!?! Sempre morri de ciúme do seu amor platônico por esse cara!
- Para de ‘bobeira’. Já ‘tô’ em outra…
(silêncio…)
- Já entendi. Ligou pra ficar fazendo ‘ciuminho’. Então tá. Sabe pra que eu queria a pasta? Pra ligar pra Tamires. Liguei, me encontrei com ela – ela nem me deu bolo, olha só! – jantamos no Fonte Nueva e trepamos a noite toda. Noite sensacional.
(silêncio…)
- Nem ligo! (hunfes..)
- É, não tem porque ligar mesmo. Não somos mais nada um do outro há quase um ano, não é ‘baby’?
- Parece que você não perde esse costume de me chamar de ‘baby’ não é mesmo? Aposto que chama todas assim pra não trocar o nome. Coitada da tal da Tamires. Tenho dó dela.
- Se tivesse visto como foi boa a noite que passamos juntos acho que não teria tanta dó assim…
- Aí…tá bom…vamos direto ao assunto. Estou precisando de um favor seu.
- Hum! Que interessante…
- É sério! Briguei com meu chefe. Está tudo muito ruim lá na empresa. Nem pagar direito estão pagando. Quero sair de lá. Mas quero receber tudo que eu tenho direito. Não conheço nenhum advogado tão bom quanto você nesses casos – tudo bem que acho que é o único advogado que conheço – mas isso não vem ao caso.
- Obrigado pelo ‘bom advogado’. Até mesmo pelo ‘único’, pois isso afasta a possibilidade de ter me traído com um colega de profissão. Mas vamos ao que interessa…
- Peraí…antes disso, fique claro que eu nunca te traí.
- Isso é o que você diz.
- Pode acreditar ‘baby’.
- Ok! Mas então você quer que eu cuide do caso pra você?
- Na verdade, gostaria que me esclarecesse as coisas e me indicasse alguém pra cuidar do caso. Bonito, rico e inteligente de preferência. (risos…)
- Nesse caso, o ‘único’ da região sou eu mesmo. (risos…)
- Bom. É sério. Como podemos fazer isso? Começo a te contar tudo agora ou já tem algumas perguntas que são de praxe?
- Na verdade, cada caso é um caso. Preciso conhecê-lo a fundo. Só assim pra te indicar alguém que valha a pena. Acho que precisaremos nos encontrar.
- Minha vida anda tão corrida. Não dá pra ser por e-mail?
- Advogar um caso em benefício da ex-noiva por e-mail é o cúmulo ‘né’ ‘baby’?
- Você tenta de tudo pra me ver não é mesmo?
- Mas é você quem está me ligando pra pedir um favor…
- Isso não significa que queira te ver. Faz assim. A gente resolve as coisas por e-mail. E no tempo que poderia me ver, você encontra a Tamires. O que acha?
(silêncio…)
- É mentira. Eu não queria a pasta por causa de Tamires nenhuma. Você sabe disso. Não sai com ninguém.
- Mas pode sair. O telefone está aí com você…
- É! Acho que é isso que vou fazer. Parar de gastar meu tempo falando com você no telefone e ligar pra ela.
- Espera ‘baby’! (silêncio…) Ainda não combinamos. Não agüento mais aquele lugar. Preciso da sua ajuda.
- (hunfes…) Bom. Então escreva tudo sobre o caso e me envie. Ainda tem meu e-mail?
- Tenho, mas você não disse que seria melhor pessoalmente?
- Até disse. Mas você se desesperou assim que soube da possibilidade de me ver. Isso ou é muito amor, ou muito ódio.
- Eu não te odeio!
- Então…
- Para por aí! (silêncio…).Éééé…Quanto vai custar?
- Não cobraria de você.
- Faço questão de pagar. Estou contratando um serviço.
- Faço questão de não cobrar, mas acertamos isso pessoalmente.
- Então, quando?
- Hoje mesmo, pode ser?
- Acho que pode.
- Às 20 horas no Fonte Nueva?
- Não ‘baby’. A conversa é de negócios. Nada de Fonte Nueva. Não queira apelar. Às 20 horas no Center 3, na Av. Paulista.
- Pode ser…
- Até lá!
- Até! Beij…
*piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
Post ao som de: O Amor Não Sabe Esperar – Paralamas do Sucesso e Marisa Monte

Adorei,parabéns só não pode demorar muito pro próximo capitulo
Esse seu post quase me deixou sem respiração hehe
Muito boa a história. Cadê o próximo capítulo???
Hum.. Senti uma pontinha de influência do Rubens Paiva nesse texto, impressão minha?
.
Adorei o texto, e como eu te disse, apostar em seus textos e escreve-los mais longos (ou com continuação) pode dar certo
Rrsrsrsr…….//Fala sério Caio…essa pasta ainda vai dar muito “pano pra manga”…//Rrsrs…^^
Muito bacana Kara. E eu concordo com os demais: tem que ter mais um capítulo pra gente ver como termina.
Aguardamos ansiosamente:
Ao telefone 3: A trilogia